O SS100 de Jorge Monte Real

Nascido em 1916, Jorge Monte Real seria um dos primeiros portugueses a adquirir um Standard Swallow SS100, tipo de automóvel produzido em Inglaterra entre 1936 e 1940 por William Lyons que após o final da II Guerra daria origem à marca Jaguar. Não existe qualquer registo da participação em provas desportivas deste carro pelas mãos de Jorge Monte Real, cuja estreia no automobilismo nacional teve lugar em 1933 ao volante de um pequeno MG.
Pesando apenas 1150 kg e equipado com um motor com válvulas à cabeça capaz de debitar cerca de 100 cavalos de potência a uma caixa de quatro velocidades o SS100 podia  atingir velocidades superiores a 150 km/h, um prodígio para a época.
Ao volante de um carro idêntico Casimiro de Oliveira conquistaria em Vila Real 1937 a primeira vitória em circuito de um automóvel de marca Jaguar.




O SS100 de Jorge Monte Real

Nascido em 1916, Jorge Monte Real seria um dos primeiros portugueses a adquirir um Standard Swallow SS100, tipo de automóvel produzido em Inglaterra entre 1936 e 1940 por William Lyons, que após o final da II Guerra daria origem à marca Jaguar. Não existe qualquer registo da participação em provas desportivas deste carro pelas mãos de Jorge Monte Real, cuja estreia no automobilismo nacional viria a acontecer em 1939 ao volante de um pequeno MG.
Pesando apenas 1150 kg e equipado com um motor com válvulas à cabeça capaz de debitar cerca de 100 cavalos de potência a uma caixa de quatro velocidades o SS100 podia  atingir velocidades superiores a 150 km/h, um prodígio para a época.
Ao volante de um carro idêntico Casimiro de Oliveira conquistaria em Vila Real 1937 a primeira vitória em circuito de um automóvel de marca Jaguar.




Ferrari 340 America Vignale Berlinetta

Casimiro de Oliveira junto do seu Ferrari 340 America Vignale chassis #0082A com o qual venceu o I Grande Prémio de Portugal disputado em Junho de 1951 no circuito da Boavista. Tal como era comum na época o carro ostentava no local da chapa de matrícula o número indicativo do chassis.
No ano seguinte este Ferrari permaneceu em Portugal participando em pelo menos três corridas guiado por José Arroyo Nogueira Pinto. Em 1953 foi vendido para o exterior e nunca mais voltou.


I Circuito do Parque Eduardo VII

 Organizado pelo Governador Civil de Lisboa com o apoio do ACP teve lugar a 3 junho de 1934 a primeira jornada do I Circuito do Parque Eduardo VII. A segunda jornada decorreria a 1 de Julho seguinte. António Herédia ao volante do seu pequeno Morris com 846 cc de cilindrada (nº 15) seria o vencedor na categoria Sport "pequenas cilindradas". Elmano Ribeiro, em SS, ficou em segundo lugar e Armando Pombo (MG) em terceiro.
A seguir a esta prova Henrique Lehrfeld tentou bater o record da volta mais rápida a este circuito ao volante do seu Bugatti. Teve azar. Galgou o passeio, derrubou três árvores, destruiu uma maca dos bombeiros e foi parar ao hospital.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto e jornal O Volante




Conde de Monte Real, o Centenário

31 de Agosto de 1916. Há exatamente cem anos nasceu em Lisboa Jorge Cardoso Pereira da Silva de Melo e Faro, que ao longo da vida viria a ser conhecido por Conde de Monte Real, título atribuído em 1907  pelo Rei D. Carlos I a seu pai, Artur Porto de Melo e Faro. Desde muito cedo que Jorge Monte Real (nome que também usava) mostrou uma clara vocação pelos desportos motorizados tendo-se estreado em competição numa prova de motocross quando ainda nem sequer tinha idade para tirar a carta de condução. Pouco depois tirou o brevet de piloto privado de avião (PPA, licença nº 29) e em 1933, com apenas dezoito anos de idade, começou a correr em automóveis. Venceu a Rampa do Cabo da Roca ao volante de um MG e logo nesse ano disputou o Circuito do Estoril conduzindo um Bugatti. Em 1951 conquistou um brilhante segundo lugar no Rallye de Monte Carlo fazendo equipa com Manuel Palma num Ford 100 CV, resultado que continua a ser o melhor alguma vez obtido por uma equipa portuguesa nesta clássica do calendário mundial. Nesse mesmo ano venceu o Campeonato Nacional de Rampas ao volante de um Ford Ardun especialmente concebido nas oficinas de Manuel Palma, feito que repetiria no ano seguinte com 100% de vitórias. Em 1968 despediu-se das pistas triunfando na prova de veteranos do Circuito da Granja conduzindo um Porsche 911 R. Morreu em Julho de 1992 com 76 anos de idade.






 


Casimiro em Fórmula 2

Poucas pessoas o saberão mas Casimiro de Oliveira realizou em 1953 um teste ao volante de um Ferrari 500 de Fórmula 2 na pista italiana de Modena a convite de Enzo Ferrari. Este era o mesmo chassis que Alberto Ascari levou à vitória no grande Prémio de Itália de 1952 numa época em que o Campeonato do Mundo era disputado por carros de Fórmula 2. O piloto português terá estado ao volante durante cerca de 20 minutos e consta que os tempos por volta foram animadores. Após o teste  Casimiro de Oliveira adquiriu um Ferrari 250 MM Spider Vignale para si próprio.
A foto é do jornal "O Volante"



A Estreia do Etnerap

António Augusto Parente, visto aqui em pé junto da sua obra, foi um dos construtores artesanais portugueses inscritos no Circuito de Monsanto de 1953 na categoria de carros com motores até 1,100 cc de cilindrada. O seu Etnerap (anagrama de Parente) foi construído sobre uma base Fiat 1100 equipada com um motor que debitava cerca de 70 cavalos, potência relativamente modesta mas suficiente para transformar esta pequena "barchetta" num verdadeiro carro de corrida. Ao volante está João Castello Branco, que pilotou o Etnerap no Circuito de Monsanto mas que aqui se apresenta durante a estreia do carro em competição na Prova de Perícia e Condução do Sporting realizada a 25 de Abril de 1953. Terminou no 2º lugar da Classe D.
Com agradecimentos a Ângelo Pinto da Fonseca.


"Os Heróis" de 1935

Não eram muitos os portugueses que em 1935 participavam nas poucas corridas de automóveis que o Automóvel Clube de Portugal organizava nas improvisadas pistas do país. Conheciam-se todos e formavam como que um grupo de amigos. O Circuito do Estoril era sem dúvida a prova mais importante do calendário e a que mais concorrentes atraía como se constata por esta imagem relativa à cerimónia de entrega dos prémios realizada na noite de 20 de Outubro no Casino. O vencedor, Francisco Ribeiro Ferreira, recebeu a maior taça e dez mil escudos em dinheiro. António Guedes Herédia realizou a volta mais rápida.
Os protagonistas, da esquerda para a direita:
António Guedes Herédia (Railton), Manuel José Soares Mendes (Alfa Romeo), Jorge Monte Real (Bugatti), Francisco Ribeiro Ferreira (Bugatti), Manuel Nunes dos Santos (Adler), Henrique Lehrfeld (Bugatti) e um concorrente não identificado.
Foto da família Lehrfeld


Circuito das Beiras 1912

Com partida e chegada em Braga disputou-se no dia 21 de Junho de 1912 o Circuito da Beira - Serra da Estrela, prova que levou os nove concorrentes inscritos a percorrerem mais de 500 km nas províncias do Minho e Beiras. A partida foi dada às 3 horas da madrugada e o tempo limite para completar o percurso era de 17 horas. O vencedor foi Norberto Guimarães em "Llenay Belleville" (na foto) que teve a seu lado o mecânico Coelho da Garagem Benz do Porto.
Transcreve-se uma local de um jornal da época: " Todos os cavalheiros e algumas senhoras que vinham nos automóveis chegaram muito bem dispostos, não tendo havido desgraças".
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto
Foto - Ilustração Portuguesa


Duelo no Estoril

Em 1935 disputou-se na zona envolvente do Casino aquele que viria a ficar conhecido como o I Circuito do Estoril, prova organizada pelo ACP. Não é inteiramente verdade porque dez anos antes (1925) já ali se tinha disputado uma corrida mas foi esta a designação que perdurou. Nove concorrentes alinharam à partida para esta competição que consistia em realizar 60 voltas a um traçado que tinha pouco mais de três quilómetros de extensão. Eram eles: Henrique Lehrfeld, Francisco Ribeiro Ferreira, Jorge Monte Real e Almeida Araújo, todos em Bugatti, Nunes dos Santos em Adler, Manuel Soares Mendes em Alfa Romeo, José Alves da Silva em Adler e António Guedes de Herédia em Railton.
Dada a partida assistiu-se a um épico duelo entre os Bugattis de Ribeiro Ferreira, Monte Real e Lehrfeld que se alternavam frequentemente no comando até que este último sofreu um furo e teve que parar para mudar a roda afectada, operação que lhe custou três voltas de atraso. António Herédia ainda viria a intrometer-se conseguindo a volta mais rápida mas a vitória acabou por sorrir a Francisco Ribeiro Ferreira (#5). Jorge Monte Real (#8), aliás Conde de Monte Real, terminaria em segundo lugar. Tinha apenas dezanove anos de idade.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto e Jornal "O Volante" 
Centro de Documentação do ACP



Monte Carlo 1933

Francisco Ribeiro Ferreira e os seus passageiros António Herédia e Estêvão Vanzeller no Delage com o nº 20 que terminaria o Rallye de Monte Carlo de 1933 num honroso 44º lugar da classificação geral cotando-se como a equipa portuguesa que obteve o melhor resultado nesta edição da grande clássica europeia. A dureza da prova fica refletida no facto de apenas 71 dos 115 concorrentes iniciais terem conseguido chegar ao fim.
Junta-se um pequeno filme da Pathé sobre o  Rallye Monte Carlo 1933


Dois "Primeiros"

Segundo o  "Guiauto Ilustrado", jornal de Automobilismo, Sports Mecanicos e Turismo do qual se conhecem apenas cinco exemplares publicados durante o ano de 1929, o primeiro rallye automóvel organizado em Portugal terá tido lugar em Vila do Conde e o primeiro comerciante do ramo a estabelecer-se terá sido o senhor Albert Beauvalet em finais do século XIX. Seguem as respectivas notícias.



O Valente do Carro 86

"O Valente do Carro 86". Assim se referia a imprensa do Rio de Janeiro ao talento e coragem de Henrique Lehrfeld que tendo partido com o seu Bugatti da última fila da grelha para o Grande Prémio do Rio de Janeiro de 1935 conseguiu terminar a corrida em segundo lugar depois de ter batido o record da volta mais rápida por várias vezes.
Fotografia da família Lehrfeld


Vitória no Campo Grande

A 14 de Maio de 1933 disputou-se o III Circuito do Campo Grande, em Lisboa, prova que despertou enorme interesse entre os entusiastas do automobilismo em virtude no anunciado "duelo" entre Henrique Lehrfeld e Vasco Sameiro, os grandes "volantes" da época. Inscreveram-se 15 automóveis, oito na categoria "Sport" e sete em "Corrida". A prova de "Sport" foi claramente dominada pelos Invicta dos irmãos Vasco e Roberto Sameiro, com o primeiro a sagrar-se vencedor. Tal como se esperava a corrida principal teve no Bugatti de Henrique Leherfeld e no Alfa Romeo 8C 2300 Monza de Vasco Sameiro os principais protagonistas, com os dois pilotos a alternarem-se várias vezes na liderança para gáudio da enorme assistência. Lehrfeld deu tudo por tudo e ainda conseguiu a volta mais rápida (126, 920 km/h) mas a vitória acabou por sorrir a Vasco Sameiro naquela que a imprensa da época classificou como "a primeira grande e autêntica corrida de automóveis em Portugal".
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto.
Foto - Jornal "O Volante".


Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale

O Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale que aqui vemos no final da Volta à Madeira de 1961 onde foi tripulado por Abílio Correia Lobo veio para Portugal em 1959, tendo sido utilizado por "Mané" Nogueira Pinto nalgumas corridas, nomeadamente em Vila do Conde. No ano seguinte passou para as mãos de Fritz D´Orey por troca com um Ferrari que este possuía na altura. Em 1960 foi com este carro que o piloto luso brasileiro fez a viagem até Le Mans onde iria disputar as 24 Horas desse ano ao volante de um Ferrari 250 GT. Depois, durante os treinos de qualificação aconteceu o terrível acidente que o deixou em coma durante vários dias e ditaria o fim da sua carreira automobilística. Nunca mais se lembrou do Alfa Romeo.
Projectado por Franco Scaglione o Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale estava equipado com um motor de apenas 1300 cc que debitava mais de 100 cavalos de potência, um prodígio para a época.


II Grande Prova de Resistência e Turismo

De 20 a 25 de Junho de 1933 disputou-se a segunda edição da Grande Prova de Resistência e Turismo, embrião daquilo que mais tarde viria a ser a "Volta a Portugal" e que consistia em percorrer mais de 1800 km através do nosso país ao longo de seis etapas. Dezasseis equipas compareceram à partida em Cacilhas, menos seis que no ano anterior. O vencedor absoluto seria João Gelweiller que partilhava o Essex-Terraplane com Dionísio Gallino (na imagem) tendo Arnaldo Stocker (Triumph) e Júlio Trigo (Fiat) vencido as classes respetivas. D. Maria La Caze Noronha terminou em sexto lugar e venceu a Taça de Senhoras enquanto que Armando Pombo, vencedor das complementares de Évora e da Covilhã, seria forçado a desistir após ter atropelado um cavalo.
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto
Foto - jornal O Volante


Lancia Aprilia Boneschi

Carlos Pinto Coelho (1915-2000) foi advogado por profissão mas era no automobilismo que encontrava uma das suas grandes paixões, facto que o levou a inscrever-se por três vezes no Rallye de Monte Carlo. Em 1951 terminou a grande clássica europeia em 96º lugar ao volante de um Riley 2,5 L, a única vez que completou a prova. Voltou em 1952 com o mesmo carro, mas foi forçado a abandonar, tendo repetido a experiência em 1953, desta vez ao volante de um Lancia Aurelia, só que  também não foi feliz. No final da década de 40 utilizava este belo Lancia Aprilia Boneschi para as suas deslocações pessoais.



Citroen Traction 15/6

Depois de ter participado na edição de 1951 do Rallye de Monte Carlo com o Citroen Traction 15/6 matrícula GG-13-82 João Lacerda voltaria ao "Monte" nos dois anos seguintes com o HF-16-83, um carro idêntico ao anterior. Em 1953 fez equipa com Harry Rugeroni e viria a terminar a prova na 43ª posição, um resultado mais que honroso se pensarmos que chegaram ao fim 346 das 404 equipas que compareceram à partida.


D. B. Panhard

O D. B. Panhard de José Emídio da Silva (desconhemos o nome do copiloto) visto aqui à partida de Lisboa para o VI Rallye Internacional de Lisboa não conseguiu terminar a prova mas foi seguramente um dos automóveis mais extraordinários que nela participaram ao longo das suas várias edições. Inscrito na classe 5 (motores até 750 cc) tinha como adversários directos nada menos que quatro  Dyna Panhard que acabaram por conquistar os lugares de topo na categoria.
O VI Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) de 1952 teve mais de uma centena de inscritos que partiram de diversas cidades europeias (Londres, Milão, Bruxelas, Monte Carlo, Berna, Madrid, Amsterdam, Lisboa, Porto, Frankfurt, etc) para percorrerem alguns milhares de quilómetros de estradas nem sempre perfeitas até se encontrarem no Estoril onde se realizariam as provas complementares. Joaquim Filipe Nogueira, em Porsche 356 (what else?) seria o grande vencedor.
O IE-17-74 continua em Portugal e passou recentemente por um restauro exemplar que o devolveu à sua cor e glória originais (em baixo, à direita).





As Vencedoras

Délia Gonçalves e Maria da Conceição Maia Loureiro, vencedoras da Taça de Senhoras do II Rallye Internacional de Lisboa (Estoril) de 1948  tripulando um Mercury Eight Convertible.
Foto . Centro de Documentação do ACP


Alta Emoção no Campo Grande

Lisboa. Às 17:45 do dia 14 de Maio de 1933 teve início a volta de preparação do III Circuito do Campo Grande após a qual foi dada a partida para a corrida mais importante do dia, a Prova Automóvel Clube de Portugal. Alinharam sete concorrentes, a saber: Henrique Lehrfeld (Bugatti), Vasco Sameiro (Alfa Romeo), Carlos Bleck (Bugatti), Alfredo Marinho Jr (Bugatti), Leopoldo Roque da Fonseca (Bugatti), Gaspar Sameiro (Invicta) e Eduardo Carvalho(Ford). A vitória seria decidida entre Henrique Lehrfeld e Vasco Sameiro que travaram uma batalha épica ao longo das vinte e oito voltas previstas deixando os demais participantes a grande distância tendo o piloto de Braga sido o primeiro a cortar a meta logo seguido por Lehrfeld, que nunca baixou os braços. No final o público entusiasmado invadiu a pista e carregou aos ombros os dois principais protagonistas.
Foto - colecção da família Lehrfeld
Bibliografia - Diário de Lisboa / Primeiro Arranque, de Vasco Callixto


Vitória no Cabo

A 4 de Abril de 1937 disputou-se na chamada recta do Cabo, perto de Vila Franca de Xira, o "I Quilómetro Lançado do Cabo". O percurso com um total de 4 mil metros compreendia 2 mil metros para aceleração, mil metros para a prova e outro tanto para travar. Inscreveram-se 14 carros, 10 na categoria Sport e 4 na categoria Corrida. A vitória absoluta viria a pertencer a Francisco Ribeiro Ferreira (na foto), em Bugatti, com uma marca que viria a tornar-se novo record nacional: 203,735 km/hora. O anterior recordista, Henrique Lehrfeld, não foi autorizado a participar por não ter comparecido às verificações técnicas. O carro mais lento seria o DKW de Emídio Correia Guedes que não foi além de uns modestos 79 km/hora.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


Corpo Diplomático

O Jaguar do concorrente português Júlio Westor Sosa em acção durante uma prova complementar disputada em volta do Casino no final do VI Rallye Internacional de Lisboa (Estoril). Tendo partido de Lisboa, Júlio Sosa viria a conquistar um mais que respeitável 14º lugar absoluto no final. Note-se a placa CD (Corpo Diplomático) bem visível na parte dianteira do carro nº 96.
Foto - Centro de Documentação do ACP


Sucesso no Trampolim do Diabo

"Trampolim do Diabo" era o nome por que era conhecido o circuito desenhado nas zonas da Gávea e Leblon, no Rio de Janeiro, com uma extensão de 11,760 metros. Traçado difícil e perigoso como se comprovaria em 1935 com a morte do piloto brasileiro Irineu Corrêa vítima de um acidente ocorrido logo na primeira volta do Grande Prémio que levou o seu carro a mergulhar nas águas turvas do canal do Leblon. O português Henrique Lehrfeld (na foto) arrancou da 37ª posição da grelha de partida mas isso não o impediu de levar o seu Bugatti T37A até ao segundo lugar da classificação geral realizando também a volta mais rápida ao circuito à média de 74,208 km/hora.


I Rampa da Pimenteira

A 10 de Junho de 1910 disputou-se na zona de Monsanto a I Rampa da Pimenteira, prova organizada pelo Real Automóvel Clube de Portugal sob o alto patrocínio do Infante D. Afonso. Cerca de trinta mil pessoas assistiram ao evento espalhadas ao longo dos 1500 metros do percurso para aplaudir os 20 automobilistas e 10 motociclistas inscritos na primeira competição deste género alguma vez realizada em Portugal. No final o júri decidiu atribuir a vitória a Estêvão de Oliveira Fernandes, em Buick (na foto de cima) deixando uma menção especial para Angel Beauvalet, em Berliet,  considerado "brilhante nas curvas". A foto de baixo confirma a referência.
Fotos - Jornal O Volante
Bibliografia - Jornal O Volante e "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


Vitória Ford no Estoril

Organizado pelas Forças Motorizadas da Legião Portuguesa realizou-se em Agosto de 1937 o II Circuito do Estoril, prova disputada num traçado com 2810 metros de extensão que era suposto ser percorrido por 30 vezes. Apenas cinco carros compareceram à partida: o Ford "Especial" de Manoel de Olviveira, os Bugatti de Jorge Monte Real e Henrique Lehrfeld, o Alfa Romeo de Benedito Lopes e o Maserati de E. K. Rayson. Na presença do Presidente da República, Óscar Carmona, e de uma grande assistência o Ford de Manoel de Oliveira viria a dominar a corrida não dando hipóteses a qualquer dos seus opositores.
Na foto do jornal O Volante vê-se à esquerda o Ford "Especial" de Manoel de Oliveira magnificamente preparado por Eduardo Ferreirinha na grelha de partida situada na Avenida Amaral junto à entrada norte do Casino. À direita o Bugatti de Jorge Monte Real.


Rallye do Algarve 1937

Com partidas de Lisboa, Beja e Faro disputou-se nos dias 20 e 21 de Fevereiro de 1937 o I Rallye ao Algarve, prova organizada pelo jornal "Sports do Algarve" com o apoio do ACP.  Depois de terem convergido para Faro no sábado os concorrentes cumpririam durante a tarde de domingo no Estádio da Senhora da Saúde as provas complementares que viriam a ditar a classificação. O vencedor absoluto foi Mateus d´Oliveira Monteiro, em Hansa 1100, que recebeu o respectivo troféu durante um baile realizado nessa mesma noite na Câmara Municipal.
Foto - Jornal "O Volante"
Bibliografia - Jornal "O Volante" e "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto



III Quilómetro de Arranque do Campo Grande

Na presença do Presidente da República, general Óscar Carmona, disputou-se a 20 de Abril de 1930 a terceira edição do Quilómetro de Arranque do Campo Grande, em Lisboa, prova que contou com a participação de 45 concorrentes divididos por duas categorias, Corrida (14) e Sport (31). Em paralelo realizou-se uma corrida de motos e, como habitualmente, um Concurso de Elegância.
 Jorge Ortigão Ramos, em Auburn, venceu em Sport e Henrique Lehrfeld (na foto) venceu na categoria Corrida com o Bugatti Grand Prix 2 Litros acabado de adquirir em França por uma pequena fortuna (160 mil francos). Segundo a imprensa da época "apesar de entrar na meta com o motor a falhar o grande corredor cumpriu 3/4 do percurso numa velocidade verdadeiramente excepcional que lhe permitiu atingir a média de 104.681 km/h".
Registe-se a presença em prova na categoria Sport de uma senhora, D. Dália Mendes Xavier, que conseguiu a respeitável média de 63,135 km/h.

Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto
Foto - arquivos da família Lehrfeld


Um dos Primeiros

Não é consensual a data que terá marcado o início do automobilismo no nosso país em qualquer das suas vertentes: competição, turismo ou concurso. Porém será razoavelmente seguro considerar que o Napier do senhor Rugeroni Garcia, que aqui vemos a desfilar na Parada de Cascais em 1909, terá sido um dos primeiros a tomar parte numa competição (concurso, neste caso) automóvel em Portugal.


ALVIS Speed 20 SA - Procedimentos de arranque do motor

Aqui se dá conta do complexo procedimento de arranque do motor do Alvis Speed 20 SA de 1932 que pelas mãos de José e Manuel Romão de Sousa participou na edição 2016 do Flying Scotsman Rallye, prova de resistência destinada em exclusivo a automóveis construídos antes da II Guerra Mundial.
A fotografia do Alvis a atravessar um curso de água é da autoria de George Brown


Os "Especiais" de Henrique Lehrfeld

Nascido em 1897 Henrique Lehrfeld viria a tornar-se num dos mais bem sucedidos pilotos portugueses de automóveis na década de 30, distinguindo-se especialmente ao volante de carros de corrida de marca Bugatti. Porém, alguns dos automóveis que marcaram a sua vida privada tiveram tanta ou mais relevância que aqueles que utilizou na sua carreira desportiva. Aqui ficam dois exemplos:
- Em cima, o extraordinário carro de pedais de marca desconhecida em que um muito jovem Henrique Lehrfeld já dava claros sinais daquilo que queria fazer na vida. A fotografia será da primeira década do século XX.
- Em baixo, o casal Lehrfeld passeando por Lisboa no seu raríssimo Gardner Roadster, um carro construído em St Louis, Estados Unidos, por uma empresa com o mesmo nome que existiu apenas entre 1920 e 1931. Note-se a chapa de matrícula com a inscrição "Experiência".
Desconhece-se o paradeiro destas duas preciosidades.
Com agradecimentos a Linda Raposo de Magalhães e família Lehrfeld.



Escreve Robert Garner:

 "Hi Jose,
Thanks for the picture, it is one I have not seen before. The car is a 1930 Model 150 Gardner Sport Roadster.  Powered by the large Lycoming engine
299 CID and 126 HP.  Gardner used two different roadsters for 1930; this is the later one, and
was built between Feb and July 1930."

Bob Gardner

Os Carros "portugueses" de Charles Howard

Charles Howard é hoje uma das maiores autoridades mundiais no difícil e sofisticado mercado internacional de "clássicos". O livro An AUTObiography (Piston Power Press Ltd, 2014) conta a sua história desde o dia em que resolveu comprar uma modesta oficina / estação de serviço em Londres , Coys of Kensington, para montar um negócio de compra e venda de automóveis antigos que mais tarde viria a transformar-se na importante empresa internacional de leilões que existe hoje com o mesmo nome (COYS). Sempre atento ao mercado e às evoluções do mundo Charles Howard encontrou nos "problemas" de Portugal no pós-25 de Abril uma oportunidade de ouro para enriquecer a sua já então magnífica colecção. Desde logo com a aquisição do extraordinário Hispano-Suiza H6C 8 Litre Factory Competition Version que pertenceu a José Bandeira / Alves dos Reis durante o louco ano de 1925, carro que aparece na capa e na primeira página do livro, tal a sua importância. Mas não se ficariam por aqui as "compras" de Charles Howard no nosso país durante um período em que os portugueses pareciam apenas preocupados com o PREC e suas consequências. Ora vejam.

À esquerda a imagem do Hispano-Suiza de José Bandeira / Alves dos Reis tal como foi encontrado em Portugal em 1976 que faz a capa do livro. Na primeira página (à direita) aparece o mesmo carro já depois de recuperado.

Este Mercedes-Benz Type 290 Stromlinien-Limousine de 1935 (em baixo) foi também encontrado em Portugal em meados da década de 70. Caracteriza-se por ter uma "barbatana" longitudinal que percorre toda a carroçaria, único exemplar deste modelo com este tipo de preocupação "aerodinâmica". O carro pertence hoje ao Museu Daimler-Benz de Stuttgart, o que diz bem da sua relevância para a história da marca.

Outro carro particularmente interessante "descoberto" em Portugal por Charles Howard foi o Austro Daimler "Bergmeister" chassis nº 27019/62 de 1932. Apenas 50 exemplares deste modelo concebido por Ferdinand Porsche foram produzidos devido à crise económica que abalou o mundo e os Estados Unidos em particular durante os anos 30.
                                                                                                                                                                 
O extraordinário Talbot Lago Super Sport de 1938 da imagem que se segue foi também português e, nas palavras do autor do livro, vendido para Inglaterra durante o conturbado período que se seguiu à "feliz" transição de ditadura para democracia no nosso país. Por razões comerciais ainda não completamente esclarecidas este carro tinha a marca Darracq em Portugal. A lindíssima e invulgarmente (para a época) aerodinâmica carroçaria é da autoria de Figoni.

Na garagem do agente Ford para a cidade do Porto estavam o elegante Pierce Arrow 8-Limousine de 1937 (esq), um dos últimos automóveis produzidos por esta magnífica marca americana antes de declarar falência e o interessante Ford AA "Camping Wagon" (dir) cujo interior oferecia um amplo espaço para refeições que podia converter-se rapidamente num quarto com dois beliches com capacidade para quatro pessoas.

Com agradecimentos a Carlos Barbosa da Cruz, coleccionador e entusiasta.